Uma outra missão francesa

Organização: Manoel Corrêa do Lago
Autor: Flavia Camargo Toni, Marie-France Mousli e Brice Roquefeuil
Formato: 328 páginas 21 x 25 cm

A outra missão francesa, 1917-1918: Paul Claudel e Darius Milhaud no Brasil resgata aspectos da estada de Paul Claudel e Darius Milhaud no Rio de Janeiro e traz depoimentos em primeira pessoa que revelam extraordinárias vivências diplomáticas e culturais no Brasil daquela época. O livro, que será lançado dias 26 e 28 de julho, no Rio de Janeiro e em Paraty (Flip) respectivamente, reúne textos originais de Claudel, Milhaud, Henri Hoppenot e Hélène Hoppenot, além de ensaios especialmente encomendados de Flavia Camargo Toni, Marie-France Mousli, Brice Roquefeuil e do organizador Manoel Corrêa do Lago, além da primeira tradução do introito do poema “La Messe là-bas”, de Claudel, pela mão de Samuel Titan Jr.

A obra se concentra nas figuras de Claudel e Milhaud, o primeiro embaixador e, o segundo, secretário da legação francesa no Rio de Janeiro, com textos dos próprios e também de Henri Hoppenot, igualmente diplomata (prefácio de uma edição dos diários de Claudel) e de sua esposa, Hélène Hoppenot (parte de seu diário escrito no Brasil), que aqui chegaram em 1918. Autores convidados debruçam-se sobre a relação de Claudel com o Brasil (Brice Roquefeuil), a de Milhaud com o repertório popular brasileiro (Flávia Camargo Toni) e os momentos mais significativos da jovem Hélène, que descobre aqui sua vocação para a fotografia (Marie-France Mousli). Manoel Corrêa do Lago assina a apresentação da obra.

Claudel tinha por missão promover a entrada do Brasil na I Guerra Mundial ao lado dos Aliados, o que ocorre em 1917, e mergulharia na política brasileira por meio de figuras como Rui Barbosa, a quem dedica grande admiração. Ademais, deveria negociar um convênio comercial franco-brasileiro. Para Claudel, a tristeza de estar longe de sua pátria mescla-se ao advento da gripe espanhola em terras cariocas e à descoberta da cidade-floresta. A exuberância do Rio de Janeiro será evocada por ele no poema “A missa ao longe”. Aqui escreverá três peças, uma delas, o libreto para balé “O Homem e seu desejo”, que receberá música de Milhaud e cenários e figurino de Audrey Parr, cujas imagens são reproduzidas pela primeira vez no Brasil na presente obra.

O jovem Milhaud vê-se fascinado pelos ritmos brasileiros, estando aqui por ocasião do sucesso de “Pelo telefone”, o primeiro samba gravado no país. Ouve Ernesto Nazareth, influência decisiva na criação de sua obra mais famosa, interessa-se por maxixes, sambas e cateretês, promove a aproximação dos mundos musicais francês e brasileiro, e transporta suas impressões para a notável composição “Saudades do Brasil”. Seu relato emocionado sobre os anos aqui passados, inédito, é traduzido neste livro que ora apresentamos. Os quatro amigos, essa “estranha legação”, adentram o universo cultural brasileiro convivendo com duas famílias sumamente musicais: os Veloso-Guerra o os Oswald, em torno dos quais gravitam nomes da cena mundial como o pianista Arthur Rubinstein e a estrela dos balés russos, Vaslav Nijinsky.

Os textos dos quatro viajantes, traduzidos por Pedro Fragelli, são enriquecidos por notas editoriais e vasta iconografia, majoritariamente inédita, que reconstitui a ambiência que os envolvia durante os turbulentos anos da I Guerra Mundial. A vida boêmia, a música, a paisagem, a descoberta da fotografia… tudo isso contribuiria para que os quatro se tornassem embaixadores informais do Brasil ao retornarem à França.

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