A Expansão urbana do Rio de Janeiro e o peixe das nuvens

Autor: Claudio Egler, Dalton Nielsen, Fabio Origuela de Lira, Paulo Gusmão
Formato: 104 páginas, 21x25 cm
Fotografia: Marco Terranova

É nas regiões inundáveis, em poças e brejos, que vive um peixe que desenvolveu uma estratégia diferenciada de sobrevivência. Seu ciclo de vida se desenrola na estação chuvosa, quando acasala e põe os ovos no substrato que em breve secará. Assim que voltarem as chuvas, ainda que se passem anos, os ovos eclodirão e o ciclo se repetirá em tempo acelerado, para garantir essa circunstância ideal. Por essa razão, são conhecidos como “peixe das nuvens”. Um grande anfiteatro natural, repleto de pântanos e planícies inundáveis, prosperou como berço de diversos seres, entre eles o peixe das nuvens, que habita grande variedade de ambientes de água doce há cerca de 200 milhões de anos. O redesenho do Rio de Janeiro, de pântano a metrópole, é abordado em uma obra crítica, que se apoia na ameaça a uma espécie típica da região. Repleto de fotos históricas surpreendentes, o livro é indispensável para entender como a modificação da paisagem natural pela expansão urbana afeta o meio ambiente e ameaça o belo e delicado peixe das nuvens.

Mico Leão Dourado

Autor: Cristina Serra
Formato: 164 páginas 17X24cm
Fotografia: Haroldo Palo Jr.

A combinação de esforços de ambientalistas e a colaboração de fazendeiros, lavradores e residentes do interior do Estado do Rio de Janeiro resultaram em um “case” de conservação que obteve sucesso internacional e apresentou notáveis reflexos sociais. O livro, traz ensaio fotográfico inédito de Haroldo Palo Jr (in memoriam) e texto da jornalista Cristina Serra. São 160 páginas contando a história do primata desde o início da colonização e como se deu o esforço pela sua conseração, recheado com imagens inéditas do mico, que por muito pouco não foi extinto.

25+25

Organização: Israel Klabin
Autor: Achim Steiner André Guimarães Braulio Dias Claudia Costin Israel Klabin Izabella Teixeira Jerson Kelman Johan Rockström José Carlos Carvalho José Goldemberg Luiz Alberto Oliveira Marcio Doctors Nicholas Stern Paulo Moutinho Roberto Rodrigues Vinicius Carlos Carvalho
Formato: 280 páginas 22X26cm

Ao longo de 280 páginas, temas como Amazônia, educação, agricultura e mudanças climáticas são debatidos ora em tom grave, de urgência propriamente dita, baseados em estudos científicos; ora de forma reflexiva e propositiva trazendo luz à educação e à adoção de tecnologias como formas de gerar impacto positivo na relação Homem/Natureza. Os textos foram elaborados por especialistas de diferentes áreas propondo uma reflexão sobre os acontecimentos ligados ao Meio Ambiente que ocorreram globalmente nos últimos 25 anos e o que devemos esperar para os próximos 25.

Leblon

Organização: Augusto Ivan de Freitas Pinheiro e Eliane Canedo de Freitas Pinheiro
Autor: Ruth de Aquino, Joaquim Ferreira dos Santos, Alba Zaluar, Augusto Ivan de Freitas Pinheiro, Cristiane Titoneli, Eliane Canedo de Freitas Pinheiro, Júlia Dias Carneiro, Lauro Cavalcanti, Lucas Vettorazzo e Miguel Conde
Formato: 240 páginas 23X28cm
Fotografia: Rogério Reis

Um imenso areal por onde circularam índios Tamoios da aldeia Kariané; que teve em suas montanhas um quilombo onde se tramou a abolição; e no asfalto um generoso anfitrião que abrigou, em seus bares e botequins, intelectuais e artistas do porte de Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Estes são alguns dos temas que emergem do livro. Algumas curiosidades em meio a tantas fotos históricas e informações incluem o fato de que ele se originou não a partir de Ipanema, e sim do entroncamento Jardim Botânico/Gávea. As fotos históricas, cuidadosamente pesquisadas, formam um capítulo à parte. Há desde a corrida de automóveis no Circuito da Gávea até o registro de um bairro tomado por dunas e areia, onde era possível fazer uma cavalgada nos anos 1930 com direito a banho de mar para os animais. A construção da Cruzada São Sebastião, o canal do Jardim de Alah ainda sem suas alamedas e o descanso de motorista e cobrador no ponto final da Antero de Quental nos remetem a um delicioso passeio por sua formação ao longo de muitos séculos.

O livro Lugares de memória: a França no Rio de Janeiro 

Organização: Lorelai Kury
Autor: Alda Heizer, André Nogueira, Letícia Pumar e Lorelai Kury
Formato: 336 páginas 21X25cm
Fotografia: Rogério Reis

O livro Lugares de memória: a França no Rio de Janeiro reúne um rico acervo histórico combinando textos e imagens sobre uma das identidades imanentes da cidade: a francesa. Fazendo um arco temporal desde do descobrimento até o século XIX e início do XX, a obra perpassa os cenários cultural, arquitetônico, artístico, literário-filosófico, político e científico. A cidade do Rio de Janeiro continua a guardar traços da cultura francesa que seguem vivos no dia a dia dos cariocas; a França permanece como importante referencial até hoje.

De acordo com a expressão cunhada pelo poeta francês Charles Baudelaire, um flâneur é um observador da vida urbana, alguém que perambula sem compromisso pela cidade, mas secretamente atento à história dos locais por onde passa. Flanar por esta obra é revisitar espaços do Rio de Janeiro que se convertem em verdadeiros lugares de memória da presença francesa entre nós.

Ilhas Cariocas

Organização: David Zee
Autor: Carlos Frederico Duarte Rocha, David Zee, Heloísa Meireles Gesteira, Maria Dulce de Faria, Marcelo Motta e Nireu Oliveira Cavalcanti
Formato: 260 páginas 23x30cm
Fotografia: Marco Terranova

Muito mais do que um livro de fotografias com ensaio de Marco Terranova, ‘Ilhas Cariocas’, organizado por David Zee, traz também retratos de um passado que revela o quanto a mão do homem modificou o que sempre foi bonito por natureza – com destaque para a Baía de Guanabara. Cobiçada desde sempre por ser um porto seguro, estão nela a maioria de nossas ilhas, onde aconteceram as principais transformações no decorrer dos séculos, registradas através de mapas históricos e fotos do início da sua ocupação. O registro bucólico da Ponta do Galeão, onde depois seria erguido o Aeroporto na Ilha do Governador, assim como um jovem surfando uma onda gigantesca na Ilha da Laje, por exemplo, são duas das joias que fazem deste livro indispensável. É de tirar o fôlego!

‘Ilhas Cariocas’ é tudo isso e muito mais. Junto às explicações dos autores Carlos Frederico Duarte Rocha, David Zee, Heloísa Meirelles Gesteira, Maria Dulce Faria, Marcelo Mota e Nireu Cavalcanti de Oliveira, que narram os seus processos históricos, estão fotos, mapas, cartografias do século XVII garimpadas no Arquivo Histórico Ultramarino, de Lisboa, e aquarelas raras como a de Thomas Ender, da Missão Austríaca que aqui chegou no início do século XIX.

Em seis capítulos, o livro descortina a importância do cordão de ilhas oceânicas para amortecer a força das ondas que desaguam nas praias; a morfologia da formação das ilhas dentro das Baías de Guanabara e de Sepetiba; a beleza exuberante de sua biodiversidade, inclusive submersa; e sua importância para a defesa da cidade apresentada sob forma de plantas de fortes e cartografia, além de fotos de ruínas de antigas fortificações, entre outras.

“A presente obra proporciona visões multidisciplinares das ilhas cariocas explicitando os numerosos benefícios naturais e sociais que estes elementos geográficos vêm proporcionando à cidade do Rio de Janeiro ao longo da sua existência”, diz David Zee.

Rio: desafios para uma metrópole sustentável

Organização: Rodrigo Medeiros e Aspásia Camargo
Autor: Aspásia Camargo, Bernardo Serra , Cid Blanco Junior, Clarisse Cunha Linke, Luciana Nery, Marco Simões-Coelho, Rodrigo Medeiros e Vicente de Paula Loureiro
Formato: 180 páginas 16X23cm

Sete especialistas – Aspásia Camargo, Bernardo Serra , Cid Blanco Junior, Clarisse Cunha Linke, Luciana Nery, Marco Simões-Coelho, Rodrigo Medeiros e Vicente de Paula Loureiro – se debruçam sobre os problemas e as especificidades da metrópole a partir do prisma dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU como meta global até 2030.

Os autores apresentam suas visões e respostas à pergunta: “Quais são os desafios e como o Rio de Janeiro deve se preparar para se tornar uma metrópole sustentável até 2030?” organizadas em três dimensões: inclusão social, resiliência e conectividade. A cidade foi assim submetida à lente de aumento dos autores para se mostrar mais próxima e mais real, considerando que precisamos acelerar a nossa capacidade de corrigir distorções – algumas graves – que se acumularam ao longo das décadas.

Vinte e dois municípios compõem a metrópole e a relação entre eles e a cidade mãe deve ser colocada à vista: é preciso conhecer os componentes da metrópole, entender suas idiossincrasias, identificar suas potencialidades, planejar sua economia, rever sua infraestrutura mirando na igualdade social, buscando uma cidade mais justa e bela, diminuindo as disparidades e oferecendo oportunidades por meio de um sistema educacional criativo e paisagens úteis e saudáveis.

Você sabia, por exemplo, que o percentual de pessoas que vivem próximas à malha de transporte urbano da RM aumentou de 22% para 31% com as obras para os grandes eventos do Rio de Janeiro, como trens, corredores BRT, metrô e VLT? Que é possível fazer rafting nos rios de São Gonçalo? Que as estações de trem da Baixada Fluminense podem se transformar em polos aglutinadores e geradores de empregos e oportunidades, além abrigar praças de convivência e construções culturais? Que a cidade do Rio poderia ser uma nova potência na produção de alimentos orgânicos e sustentáveis?

Estas são apenas algumas das questões que os autores apresentam na obra, que traz fotos e gráficos mostrando os caminhos que precisamos seguir para fazer a cidade do Rio de Janeiro e sua Região Metropolitana mais inclusivas, sustentáveis e autossuficientes, capazes de repartir suas riquezas e gerar igualdade.

Rondon: Inventários do Brasil, 1900 – 1930

Organização: Lorelai Kury e Magali Romero Sá
Autor: Nísia Trindade de Lima, Dominichi Miranda de Sá, Lorelai Kury, Magali Romero, Maria de Fátima Costa, Íris Kantor, Fernando de Tacca, Marta Amoroso, Paula Montero, Laurent Fedi
Formato: 300 páginas 28x30cm

Sob a designação Comissão Rondon, costuma-se reunir as viagens e atividades realizadas por militares brasileiros do setor de engenharia e construção do exército, entre 1900 e 1930, no âmbito dos trabalhos das comissões telegráficas de Mato Grosso (1900-1906) e de Mato Grosso ao Amazonas (CLTEMTA, 1907-1915), incluindo a administração das estações e conservação das linhas; a preparação de relatórios e a criação do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPILTN; as viagens de levantamento e exploração científica de rios, cujo material seria utilizado para a confecção de uma Carta do Estado de Mato Grosso; e, finalmente, a realização dos serviços de Inspeção de Fronteiras aos quais Cândido Mariano da Silva Rondon, o comandante militar da CLTEMTA, dedicou-se de 1927 a 1930.

Associado aos trabalhos de extensão de fios telegráficos, inspeção de fronteiras e contato com populações indígenas remotas, realizou-se um imenso inventário do Brasil. As atividades estratégicas da Comissão Rondon visavam a integrar o território e os povos da República, além de garantir as fronteiras do país. A integração foi também científica e simbólica. Botânicos, zoólogos, antropólogos, geólogos e cartógrafos enfrentaram os perigos das expedições por terrenos desconhecidos, seguindo os passos dos militares. De seus trabalhos resultaram mapas, coleções e análises da flora e da fauna e farto material etnográfico, além de estudos relativos ao curso e à navegabilidade de rios. A atuação dos expedicionários contemplou a produção de fotografias e filmes que, de maneira bastante eficaz, fixaram uma impressionante imagem do Brasil indígena. A Comissão Rondon usava as imagens como forma de legitimação de suas atividades e como registro. A cinematografia da Comissão, por exemplo, realizou o que se considera ser o primeiro filme etnográfico do mundo: “Festas e rituais bororo”. As belas fotografias de paisagens, pessoas e costumes marcaram o imaginário da nação durante todo o século XX e hoje se constituem em rica memória histórica e etnográfica. O desbravamento de regiões que adentraram, os trabalhos científicos que produziram, as imagens do país e de seus habitantes que divulgaram formam um conjunto de informações e representações que influenciou diversas gerações de brasileiros.

A variedade e extensão dos trabalhos empreendidos por civis e militares sob a coordenação de Rondon ainda não foram devidamente avaliadas pela historiografia. As organizadoras destacam que o livro busca refletir sobre a produção de conhecimento realizada durante a Comissão e suas premissas. Por mais diversos que tenham sido os agentes chamados a contribuir com os esforços estratégicos propostos pelo Estado brasileiro, eles de algum modo comungavam concepções epistêmicas e valores patrióticos semelhantes ou ao menos se reconheceram na divisa positivista de “Ordem e Progresso”. O livro, com patrocínio da EDF Norte Fluminense, espera envolver o leitor no amplo universo da Comissão Rondon e dos técnicos e cientistas que a acompanharam.

Baía de Guanabara: passado, presente, futuros

Organização: David Zee, Rodrigo Medeiros, Fabio Rubio Scarano e Israel Klabin
Autor: Alexandre de Freitas Azevedo, Ana Carolina Facadio Campello, Ana Luiza Coelho Netto, Carlos Eduardo Frickmann Young, Carlos Frederico Duarte Rocha, Catarina Fonseca Lira-Medeiros, Claudio Egler, David Zee, Fabio Rubio Scarano, José Lailson Brito Junior, Leonardo Esteves de Freitas, Paulo Gusmão, Roberta Pereira da Silva, Rodrigo Medeiros, Walfredo Schindler e Yara Schaefer-Novelli.
Formato: 228 páginas 23 cm x 30 cm
Fotografia: Marco Terranova

Abundância, resistência, esperança. As três palavras definem ‘Baía de Guanabara: passado, presente, futuros’, disseca a enseada mais famosa do Brasil. Apesar dos ataques seculares a seus ecossistemas, que se intensificaram após a chegada da família real portuguesa no século 19, ela segue em frente abrigando espécies em extinção em meio a toneladas de esgoto despejadas diariamente pelos municípios de seu entorno – o Rio de Janeiro inclusive. Mas resiliência tem limites e os serviços ambientais providos pela Baía estão atingindo o ponto de esgotamento.

“A partir da década de 1950 o limite da capacidade de digestão da carga poluidora dos 15 municípios que compõem a bacia drenante foi ultrapassado”, revela o oceanógrafo David Zee.

O livro que ora publicamos parte da premissa de que a Baía de Guanabara pode ter futuros diametralmente opostos: se nada for feito, ela chegará a 2050 como um espaço sem vida. Mas, embora os prognósticos sejam os piores em função da desorganização urbana e do inevitável aquecimento global, que elevará o nível dos oceanos empurrando moradores da faixa litorânea para o interior, pode haver luz no fim do túnel.

“Um futuro com uma Baía de Guanabara recuperada e totalmente integrada à cidade e às áreas naturais remanescentes é o que todos queremos para o benefício das pessoas, de todas as espécies e do planeta. E isso não é impossível”, destaca o biólogo e geógrafo Rodrigo Medeiros.

Dezesseis especialistas de áreas como história, geografia, ecologia e oceanografia se reuniram para avaliar as condições passadas, presentes e futuras desse belo corpo d’água e oferecer soluções para que ele tenha, em 2050, esse futuro que todos nós almejamos: águas limpas, ecossistemas saudáveis, biodiversidade protegida, uso sustentável dos seus recursos.

Sobre Rochas

Organização: Marcelo Motta
Autor: Marcelo Motta
Formato: 252 páginas 23 x 28cm
Fotografia: Paulo Velozo

As treze montanhas mais belas do Rio de Janeiro ganham destaque em um livro de fotografias que traz os roteiros do Programa Sobre rochas do canal Mais Globosat. Concebido pelo geógrafo Marcelo Motta, o livro Sobre rochas revela formações que entremeiam o cotidiano da cidade e fazem parte da vida de todo morador ou visitante desse lugar ímpar que é o Rio de Janeiro. Como o próprio autor afirma: “não há, no mundo, formações iguais a essas, assim como o Grand Canyon, os Himalaias, as montanhas do Rio de Janeiro são únicas”. E para compartilhar essa visão do verdadeiro monumento geológico em que habitamos, Motta contou com o talentoso fotógrafo Paulo Velozo, cuja lente apresenta ângulos diferenciados de nossas montanhas. As fotografias intercalam-se aos textos e às entrevistas dos especialistas que participaram do programa de televisão, com duas temporadas disponíveis no NOW e no GlobosatPlay.

Editado pela já tradicional divulgadora de arte e ciência Andrea Jakobsson Estúdio, Sobre rochas será lançado no dia 22 de novembro na PUC-Rio, de cujo quadro docente o autor faz parte nos programas de pós-graduação em Geografia e Meio Ambiente e Arquitetura, além de ministrar aulas de Geomorfologia e Meio Ambiente para a graduação dos cursos de Geografia e Arquitetura.

A experiência do geógrafo em diversos projetos ambientais pelo Brasil e sua participação no Grupo de Pesquisa em Geologia na UERJ inspiraram a concepção do Projeto “Sobre rochas”. Marcelo Motta explica que “os processos geológicos e geográficos são extremamente cinematográficos e de uma beleza ímpar que, bem capturada pelo fotógrafo Paulo Velozo, revela o que passa despercebido em nosso dia a dia”. Motta completa: “mostrar isso para o grande público é fundamental para o entendimento de nossa qualidade de vida, desde os processos de deslizamentos de encosta que possuem uma ligação mais óbvia, até processos mais imateriais, mas nem por isso irreais, que afetam nossa sociedade”.

O programa “Sobre rochas” nasceu da necessidade de mostrar ao público que a Geografia é uma ciência em constante contato com a sociedade. A ocupação, a circulação, a exploração dos recursos naturais, tudo isso é filtrado pelos olhares atentos dos geógrafos. Agora transformado em livro, Sobre rochas se configura num rico material de consulta e divulgação científica.

Uma pesquisa minuciosa feita por Marcelo Motta e sua equipe, com vasto material fotográfico de Paulo Vellozo e ilustrações, reconstitui uma história mais longa da cidade, desde tempos geológicos remotos até a metrópole que somos hoje. Sobre rochas fala, principalmente, sobre a relação dos cariocas com a geografia da cidade: como os relevos influenciaram a ocupação urbana; como e porque os cariocas se apropriam de determinadas formações; que lendas, mitos e processos culturais estão no entorno dessas montanhas. O livro se vale de várias entrevistas com os mais diversos personagens – historiadores, geógrafos, agentes culturais, montanhistas –, para fazer um retrato precioso da evolução da ocupação do espaço urbano nessa cidade cravada entre montanhas, planícies costeiras e mar exuberante.

Das ilhas litorâneas aos limites do município, nada escapa ao olhar geográfico. Do extremo da Zona Norte ao extremo da Zona Sul e cruzando a cidade da Zona Leste à Zona Oeste, o autor desvela uma cidade que sofreu inúmeras intervenções urbanísticas – aterramentos, demolições, alterações de cursos de rios, reflorestamentos, reforços de encostas, túneis – e que impôs aos seus habitantes mudanças de hábitos e novas formas de convivência. A história da ocupação da cidade, não só com projetos habitacionais, mas também com empreendimentos culturais e formas de subsistência, faz de Sobre rochas um livro essencial em qualquer biblioteca.

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