A Floresta da Tijuca

Autor: Raymundo Ottoni de Castro Maya, autor convidado Pedro de Castro da Cunha Menezes
Formato: 112 páginas, 22 x 26 cm, cerca de 80 imagens
Fotografia: Humberto e José Moraes Franseschi

Escrito em 1967 pelo empreendedor Raymundo Ottoni de Castro Maya, o livro A Floresta da Tijuca está de volta às livrarias, em nova edição, colorida e comentada. Parte da coleção Biblioteca Rio450, da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, a edição narra os trabalhos de remodelação que mudaram a fisionomia do Parque da Floresta da Tijuca na década de 1940.

O volume traz um levantamento das obras realizadas na maior floresta urbana do mundo sob o planejamento e a direção de seu principal entusiasta e benfeitor, que num período de apenas três anos, restaurou uma área de cinco milhões de metros quadrados, com 16 quilômetros de estradas. “As benfeitorias realizadas por ele, sem receber remuneração, estão aqui amplamente descritas e, agora, comentadas”, explica Vera de Alencar, diretora dos Museus Castro Maya e responsável pela pesquisa da publicação ao lado de Denise Grinspum.

Como numa conversa íntima com o leitor, Castro Maya compartilha suas memórias e retraça seu percurso no Parque. A reedição conta ainda com apresentação e comentários de Paulo Sá; texto de Pedro da Cunha e Menezes; projeto gráfico de Ligia Melges e fotografias dos irmãos Humberto e José Moraes Franceschi, além dos textos originais da época.

Castro Maya iniciou a remodelação do Parque Nacional da Tijuca em 1943. Com a ajuda de 60 homens, executou mudanças que alteraram completamente a fisionomia do local. A convite de Henrique Dodsworth, prefeito do então Distrito Federal, e na condição de administrador e sem remuneração, empreendeu um vasto programa de obras. Seu amor pela natureza começou ainda na infância, na residência da família no Alto da Boa Vista. O jardim de sua casa não tinha cerca, dava direto nas matas da Floresta da Tijuca, onde saía em cavalgada desbravando trilhas e se aventurando.

Entre os projetos efetuados estão: demarcação dos limites do parque, reconstrução de inúmeras edificações e implementação de novos usos; remodelação de instalações de restaurantes; recuperação de estradas, pontes e caminhos; limpeza de lagos e cachoeiras; e revitalização de praças e áreas de lazer, implantação de paisagismo decorativo em diversos recantos pitorescos; serviços de drenagem e beneficiamentos no sistema de represamento de água e muros de contenção.

“Além do apuro estético e da engenharia nas opções adotadas nas reformas, Castro Maya recorre a sua experiência de empreendedor, estabelecendo com a prefeitura um mecanismo de utilização de recursos com o propósito de contornar a morosidade burocrática, tornando mais ágil e menos onerosa a execução das obras. Maya, aos 49 anos, responsabiliza-se por atrair profissionais do gabarito do paisagista Roberto Burle Marx e do arquiteto Wladimir Alves de Souza”, comenta Paulo Sá.

Autor convidado, Pedro da Cunha e Menezes faz uma análise sobre a época. “Sua juventude coincidiu com o nascimento do montanhismo no Brasil, em 1919, a mais nova moda da capital da República, rivalizando com o remo e o futebol. Era uma época em que a Floresta estava associada às elites que moravam na então Capital Federal. A Tijuca era a joia da Cidade Maravilhosa, exibida com orgulho. Quando o rei da Bélgica, Alberto, visitou o Rio em 1920, foi logo levado à Floresta da Tijuca. O mesmo sucedeu com Albert Einstein, em 1925, e com Rudyard Kippling, em 1927”, relembra.

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